os painéis de concreto de carybé

Escrito por ArqBahia

Equipe de autores da ArqBahia.

Carybé: uma introdução

Carybé, pseudônimo de Hector Julio Páride Bernabó, foi um artista argentino-brasileiro. Nascido em Buenos Aires em 7 de fevereiro de 1911 e falecido em Salvador em 2 de outubro de 1997.

O argentino mudou-se para Salvador em 1949, onde se estabeleceu como artista e escritor, além de pesquisador da cultura afro-brasileira. Ele ficou fascinado pela cultura e pelo folclore da Bahia, que passou a retratar em sua obra artística.

Uma das técnicas artísticas mais marcantes de Carybé foi a criação de painéis de concreto que se tornaram referência na arte moderna brasileira. A habilidade do artista é resultado da união entre uma técnica apurada com o conhecimento profundo da cultura do povo baiano.

1. salão atos no memorial da américa latina

O Salão dos Atos é um dos trabalhos mais conhecidos de Carybé em São Paulo. Um dos mais importantes do Memorial da América Latina, um complexo cultural idealizado pelo antropólogo Darcy Ribeiro e projetado por Oscar Niemeyer.

Localizado no prédio da Secretaria-Geral do Memorial, o Salão dos Atos é composto por seis painéis de concreto criados por Carybé e Poty. Cada painel mede 15 metros de altura.

Os painéis retratam a cultura e a história da América Latina, destacando a diversidade e a riqueza dos povos da região. Com nomes representando essa narrativa histórica, foram batizados

  1. Painel dos Povos Pré-Colombianos
  2. Painel dos Povos Afros
  3. Painel dos Ibéricos (ou Os Conquistadores)
  4. Painel dos Imigrantes
  5. Painel dos Libertadores
  6. Painel dos Edificadores.

Destes, Carybé executou três: Os Povos Africanos, Os Ibéricos (ou Conquistadores) e Os Libertadores. Enquanto isso, Poty executou os painéis Os Povos Pré-colombianos, Os Edificadores e Os Imigrantes.

O Salão dos Atos é considerado um dos trabalhos mais importantes de Carybé em São Paulo, pela sua importância histórica e cultural para a região. Os painéis foram inaugurados em 1989 e desde então se tornaram um dos pontos turísticos mais visitados do Memorial da América Latina.

Fonte: Salão de Atos Tiradentes – Memorial da América Latina
Fonte: Painéis de concreto de Poty e Carybé – Memorial AL – Descubra Sampa – Cidade de São Paulo

2. fundação casa jorge amado

Essa obra foi criada em 1987 e está localizada na entrada da Fundação Casa de Jorge Amado, no centro histórico de Salvador, Bahia. A obra é composta por três painéis que representam as três raças presentes na história e na formação da Bahia e do Brasil. À esquerda, temos a figura de um homem europeu, no centro, um homem africano e à direita, um homem indígena.

A obra de Carybé é um exemplo da conexão do modernismo brasileiro o com a sociologia da época, mas mais especificamente a de Darcy Ribeiro. Ele foi um importante antropólogo e sociólogo brasileiro que estudou a cultura e a sociedade do país. Darcy Ribeiro defendia que a a fonte da identidade nacional era uma mistura de raças e culturas do negro, europeu e índio.

O modernismo brasileiro, que surgiu no início do século XX, também refletiu essa visão. Artistas como Tarsila do Amaral, Candido Portinari e Anita Malfatti, buscaram retratar a realidade social e cultural do país em suas obras de arte. Eles foram influenciados pelo movimento antropofágico, que propunha a “devoração” das influências estrangeiras para criar uma arte genuinamente brasileira.

Fonte:  Casa de Jorge Amado-1970 | Carybé (1911-1997). “The Three Ra… | Flickr
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edifício bráulio xavier

Fonte: Carybé (ufba.br)
(clique para ampliar)

O mural “A Colonização do Brasil”, localizado na Rua Chile, no Edifício Desembargador Bráulio Xavier em Salvador, Bahia, foi feito pelo artista Carybé em 1962 e é tombado pelo IPHAN. O mural possui aproximadamente 15 metros de altura e 3 metros de largura. Segundo reportagem (Jornal Correio, 2021) , a obra está sendo danificada pela infiltração causada pela falta de manutenção.

Fonte: Câmara Municipal de Salvador (cms.ba.gov.br)

antigo hotel da bahia, atual wish

Em 2010, o Wish Hotel da Bahia recebeu o título de Bem Cultural do Estado por seu valor histórico e cultural. O hotel, que foi reaberto em 2013, apresenta um ambiente com mais de 350 obras de arte em exibição, além de ser reconhecido como um exemplo da arquitetura modernista brasileira. Destaca-se também a sua galeria de arte, que abriga 370 obras de renomados artistas, incluindo os magníficos painéis de Carybé, criados em 1984, e o mural de Genaro de Carvalho, de 1950.

Fonte: Um passeio por Salvador através da obras de Carybé (ibahia.com)

foyer do teatro castro alves

Já falado anteriormente no blog, o Teatro Castro Alves é um conhecido de todo mundo da arquitetura baiana. Ele é um marco da arquitetura moderna brasileira, projetado pelo baiano Edgar de Oliveira da Fonseca.

O teatro oferece uma ampla variedade de eventos, incluindo peças de teatro, shows musicais, dança e outras performances. Além disso, o espaço é palco de importantes eventos culturais, como o Festival de Cinema de Salvador e a Bienal de Dança da Bahia.

O Teatro Castro Alves também é conhecido por sua rica história cultural e política, tendo sido palco de importantes eventos, como o show de Caetano e Gil feito em 1969 para angariar fundos para o exílio.

Algo que não é difícil de se notar rapidamente é a diversidade de mídias que a obra possui: desde o concreto, escuro, a azulejaria e a pintura claras e a madeira como um meio-tom entre ambos.

Fonte: Um passeio por Salvador através da obras de Carybé (ibahia.com)

bilheteria do teatro nelson rodrigues

A unidade da Avenida Chile, Rio de Janeiro, da Caixa Cultural, criada em 1987, inclui o Teatro Nelson Rodrigues. O prédio, um marco da arquitetura da década de 70, possui forma piramidal e é cercado por jardins, passarelas e espelhos d’água.

A fachada apresenta baixo-relevos de Carybé e em pedras de mármore de autoria de Pedro Correia de Araújo Filho. Dentro do Teatro, há gigantescos painéis entalhados em madeira pelos artistas Ernani Macedo e Roberto Sá e belos mosaicos de Freda Jardim. O teatro foi inaugurado como Teatro do BNH em 14 de janeiro de 1976 com a estreia de “Vestido de Noiva”, de Nelson Rodrigues, dirigido por Ziembinski. Quatro anos após a morte de Nelson Rodrigues, o teatro do BNH passou a se chamar Teatro Nelson Rodrigues, a partir de 1984.

Fonte:Instituto Carybé (Facebook)

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