Segurança ao fazer trilhas: o que devo levar para não passar perrengue?

Escrito por ArqBahia

Equipe de autores da ArqBahia.

1. Introdução

A preparação para trilhas é fundamental para evitar imprevistos e garantir uma experiência positiva. Não basta apenas escolher um destino bonito e sair por aí, não é? É preciso planejar cada detalhe, desde o transporte até a alimentação, passando pela navegação e orientação. Ao seguir essas normas e recomendações de segurança, você evita acidentes, lesões, perdas e danos à natureza. Além disso, você contribui para a prática responsável do ecoturismo, que visa o respeito e a conservação dos recursos naturais.

Por isso, neste artigo, vamos te mostrar o guia completo para uma jornada segura na natureza, desde a escolha dos equipamentos essenciais até a comunicação em caso de emergências. Acompanhe!

II. Equipamentos Essenciais

Para fazer uma trilha com segurança, é fundamental ter os equipamentos adequados para enfrentar as condições climáticas, o terreno e as possíveis emergências que possam surgir. Neste capítulo, vamos abordar os principais itens que você deve levar na sua mochila para garantir uma jornada tranquila e confortável na natureza.

A. Vestuário adequado

O vestuário é um dos aspectos mais importantes da segurança na trilha, pois influencia diretamente no seu conforto térmico, na sua mobilidade e na sua proteção contra fatores externos. Por isso, é essencial escolher as roupas certas para cada tipo de trilha, levando em conta a temperatura, a umidade, o vento e a exposição solar.

1. Camadas e materiais ideais

  • Primeira camada (base): Mantém o corpo seco e regulado termicamente. Evite algodão.
  • Segunda camada (intermediária): Fornecer isolamento térmico. Use fleece, lã ou plumas de ganso.
  • Terceira camada (externa): Protege contra vento, chuva e neve. Material impermeável e respirável, como Gore-Tex.

2. Importância dos calçados apropriados

  • Tipo de terreno: Escolha entre tênis de corrida para terrenos planos ou botas de trilha para terrenos irregulares.
  • Peso da mochila: Calçados mais robustos para cargas pesadas.
  • Tamanho e formato dos pés: Ajuste adequado para evitar bolhas e lesões.

B. Kit de primeiros socorros

Um kit de primeiros socorros é indispensável para trilheiros, fazendo a diferença em situações de emergência. Um kit básico deve conter:

  • Antissépticos, curativos, anti-inflamatórios, antialérgicos, antitérmicos, antidiarreicos, soro fisiológico, pinça, tesoura e luvas descartáveis.

2. Como montar um kit personalizado

Além dos itens básicos, inclua:

  • Repelente
  • Protetor solar
  • Hidratante labial
  • Colírio
  • Medicamentos específicos, se necessário.

Lembre-se de verificar a validade dos itens e substituí-los quando necessário. Guarde o kit em um local de fácil acesso na mochila, protegendo-o da umidade e calor excessivo.

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III. Alimentação e Hidratação

Uma das partes mais importantes da preparação para uma trilha é planejar a sua alimentação e hidratação. Você vai precisar de energia e água suficientes para manter o seu corpo funcionando bem durante a jornada. Neste capítulo, vamos dar algumas dicas de como escolher os alimentos adequados e evitar a desidratação.

A. Planejamento de refeições

1. Alimentos energéticos e leves

Você não vai querer carregar uma mochila pesada com alimentos que vão estragar ou ocupar muito espaço. Por isso, é recomendável optar por alimentos que sejam energéticos, leves e de fácil preparo. Alguns exemplos são:

  • Barras de cereais, frutas secas, castanhas e sementes: são fontes de carboidratos, proteínas, gorduras saudáveis e fibras, que fornecem energia rápida e duradoura. Além disso, são fáceis de transportar e não precisam de refrigeração.
  • Pães integrais, biscoitos salgados, queijos duros e embutidos: são opções para fazer sanduíches ou lanches salgados, que ajudam a repor o sal perdido pelo suor. Escolha pães e biscoitos que não sejam muito esfarelentos e queijos e embutidos que possam ficar fora da geladeira por algumas horas.
  • Sopas, macarrão instantâneo, purê de batatas e outros alimentos desidratados: são alternativas para as refeições principais, que podem ser preparadas apenas com água quente. São práticos, leves e nutritivos, mas devem ser consumidos com moderação, pois podem ter muito sódio e conservantes.
  • Chocolate, balas, doces e geleias: são guloseimas que podem dar um ânimo extra nos momentos de cansaço ou desânimo. Também são fontes de açúcar, que pode ser útil em situações de hipoglicemia. Porém, devem ser consumidos com parcimônia, pois podem causar cáries e desidratação.

2. Estratégias para evitar a desidratação

A desidratação é um dos maiores riscos para a saúde durante uma trilha. Ela pode causar sintomas como dor de cabeça, tontura, náusea, fraqueza, confusão mental e até mesmo desmaio. Para evitar esse problema, siga estas dicas:

  • Beba água antes, durante e depois da trilha. Não espere sentir sede para se hidratar, pois isso já é um sinal de desidratação. O ideal é beber cerca de 500 ml de água uma hora antes de iniciar a trilha e depois ir bebendo pequenos goles a cada 15 ou 20 minutos.
  • Leve água suficiente para toda a trilha. A quantidade vai depender da duração, da intensidade e das condições climáticas da jornada. Uma boa estimativa é levar pelo menos 2 litros de água por pessoa por dia. Se possível, leve também um filtro portátil ou pastilhas purificadoras para tratar a água de fontes naturais.
  • Evite bebidas alcoólicas, cafeinadas ou açucaradas. Essas bebidas podem aumentar a perda de líquidos pelo organismo e piorar a desidratação. Prefira água pura ou isotônicos, que ajudam a repor os sais minerais perdidos pelo suor.
  • Coma alimentos ricos em água. Frutas frescas, legumes crus, iogurtes e gelatinas são exemplos de alimentos que contêm bastante água em sua composição e podem contribuir para a hidratação do corpo. Além disso, evite alimentos muito salgados ou condimentados, que podem aumentar a sede.
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IV. Navegação e Orientação

Uma das habilidades mais importantes para uma trilha segura é a navegação e orientação. Saber como se localizar no terreno, identificar pontos de referência e seguir uma rota pré-definida pode evitar que você se perca ou entre em áreas perigosas. Neste capítulo, vamos aprender como usar dois instrumentos essenciais para a navegação: o mapa e a bússola.

A. Uso de mapas e bússolas

1. Leitura e interpretação de mapas topográficos

Um tipo de mapa muito útil para as trilhas é o mapa topográfico, que mostra o relevo da área por meio de curvas de nível. As curvas de nível são linhas que unem pontos com a mesma altitude, ou seja, a mesma distância vertical em relação ao nível do mar. Quanto mais próximas as curvas de nível estiverem umas das outras, mais íngreme é o terreno. Quanto mais afastadas, mais plano.

Para ler e interpretar um mapa topográfico, você precisa conhecer alguns elementos básicos:

  • Escala: é a relação entre as dimensões do mapa e as dimensões reais da área representada. Por exemplo, uma escala de 1:50.000 significa que 1 cm no mapa corresponde a 50.000 cm (ou 500 m) na realidade. Quanto menor a escala, maior o nível de detalhamento do mapa.
  • Legenda: é o conjunto de símbolos e cores usados para representar os diferentes elementos do mapa, como rios, lagos, florestas, estradas, trilhas, etc. A legenda explica o significado de cada símbolo e cor.
  • Orientação: é a direção em que o mapa está posicionado em relação aos pontos cardeais. Geralmente, o mapa está orientado de forma que o norte fique na parte superior, o sul na parte inferior, o leste na direita e o oeste na esquerda. No entanto, nem sempre isso é verdadeiro, por isso é importante verificar se há uma rosa dos ventos no mapa, que indica a direção do norte.
  • Coordenadas geográficas: são os valores numéricos que indicam a posição de um ponto no mapa em relação a um sistema de referência global. As coordenadas geográficas são compostas por dois valores: a latitude e a longitude. A latitude é a distância angular entre um ponto e a linha do Equador, variando de 0° (na linha do Equador) a 90° (nos polos). A longitude é a distância angular entre um ponto e o meridiano de Greenwich, variando de 0° (no meridiano de Greenwich) a 180° (no antimeridiano). As coordenadas geográficas são expressas em graus (°), minutos (‘) e segundos (“).

Para usar um mapa topográfico para navegar em uma trilha, você precisa seguir alguns passos:

  • Identifique no mapa o ponto de partida e o ponto de chegada da trilha, bem como os pontos intermediários que você deseja visitar ou evitar.
  • Trace uma rota no mapa que conecte os pontos escolhidos, levando em conta o relevo, as condições do terreno, as dificuldades e os atrativos da área.
  • Calcule a distância e o tempo estimados da rota, usando a escala do mapa e considerando o seu ritmo médio de caminhada.
  • Identifique no mapa os pontos de referência que você poderá reconhecer no terreno, como montanhas, rios, pontes, construções, etc.
  • Anote as coordenadas geográficas dos pontos mais importantes da rota, para poder localizá-los em caso de emergência ou dúvida.
  • Oriente o mapa de acordo com os pontos cardeais, usando uma bússola ou outro método alternativo (como o sol ou as estrelas).
  • Durante a trilha, compare o mapa com o terreno, verificando se você está seguindo a rota planejada e se reconhece os pontos de referência.
  • Em caso de desvio ou perda, use a bússola e as coordenadas geográficas para se reorientar e retomar a rota.

2. Técnicas básicas de orientação

Uma bússola é um instrumento que indica a direção do norte magnético, que é ligeiramente diferente do norte geográfico (ou verdadeiro), que é o ponto onde o eixo de rotação da Terra intercepta a superfície terrestre. A diferença entre o norte magnético e o norte geográfico é chamada de declinação magnética, e varia de acordo com a localização e o tempo. Para usar uma bússola corretamente, você precisa saber qual é a declinação magnética da área onde você está e ajustar a bússola de acordo. Além da bússola normal, você pode utilizar aplicativos nativos do celular ou uma bússola digital online.

Para usar uma bússola para se orientar em relação aos pontos cardeais, você precisa seguir alguns passos:

  • Segure a bússola na horizontal, na altura do peito, com a linha de fé apontando para a frente.
  • Gire o limbo até que a seta de orientação fique alinhada com a agulha magnética. Nesse momento, o limbo estará indicando os pontos cardeais em relação à sua posição.
  • Para saber qual é a direção do norte geográfico, subtraia a declinação magnética do valor indicado pelo limbo na seta de orientação. Por exemplo, se a declinação magnética for 5° W (oeste), subtraia 5° do valor indicado pelo limbo. Se for 5° E (leste), some 5° ao valor indicado pelo limbo.
  • Para saber qual é o seu rumo ou azimute, ou seja, o ângulo entre o norte geográfico e a direção em que você está apontando, leia o valor indicado pelo limbo na linha de fé. O rumo varia de 0° (norte) a 360° (norte novamente), passando por 90° (leste), 180° (sul) e 270° (oeste).

Para usar uma bússola para seguir uma direção pré-determinada, você precisa seguir alguns passos:

  • Segure a bússola na horizontal, na altura do peito, com a linha de fé apontando para a frente.
  • Gire o limbo até que o valor do rumo desejado fique alinhado com a linha de fé.
  • Adicione ou subtraia a declinação magnética ao valor do rumo desejado, dependendo se ela for W ou E. Por exemplo, se o rumo desejado for 45° e a declinação magnética for 5° W, some 5° ao valor do rumo. Se for 5° E, subtraia 5° ao valor do rumo.
  • Gire o corpo até que a agulha magnética fique alinhada com a seta de orientação. Nesse momento, você estará apontando para a direção desejada.
  • Escolha um ponto no terreno que esteja na mesma direção da linha de fé e caminhe até ele. Repita o processo até chegar ao seu destino.


V. Comunicação e Emergências

Ao planejar uma trilha, é crucial não se isolar completamente do mundo. Mesmo ao desejar desconectar-se da rotina e desfrutar da natureza, é fundamental manter meios de comunicação em caso de emergências. Neste capítulo, abordaremos a importância de informar seus planos a terceiros e o uso de dispositivos de comunicação de emergência.

A. Importância de informar planos a terceiros

Uma medida simples e eficaz para garantir a segurança na trilha é deixar um itinerário com alguém de confiança. Este documento deve conter informações sobre sua viagem, como:

  • Data e hora de saída e retorno
  • Nome e localização da trilha
  • Número e nomes dos participantes
  • Contatos de emergência
  • Plano alternativo em caso de mudança de rota ou condições climáticas

Ao compartilhar um itinerário, facilita-se o trabalho dos órgãos de resgate em caso de emergência. Além disso, evita-se preocupações desnecessárias por parte de familiares e amigos.

B. Uso de dispositivos de comunicação de emergência

Mesmo deixando um itinerário com alguém, é possível que precise se comunicar durante a trilha. Recomenda-se, portanto, o uso de dispositivos de comunicação de emergência, tais como:

  • Celular: Pode ser útil em áreas com cobertura de sinal, mas não é confiável em locais remotos ou com interferências.
  • Rádio: Permite a comunicação entre membros do grupo ou com outras pessoas na mesma frequência, dependendo da bateria e alcance do sinal.
  • GPS: Possibilita a localização precisa, dependendo da bateria e sinal de satélite.
  • Apito: Utilizado para emitir sinais sonoros em caso de perda ou socorro, com alcance limitado.

Nenhum dispositivo é perfeito, todos têm vantagens e desvantagens. Portanto, é ideal levar mais de um dispositivo e conhecer o correto uso de cada um. Certifique-se também de verificar o funcionamento e carga dos dispositivos antes de iniciar a trilha.

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VI. Conclusão

Neste artigo, você aprendeu sobre a importância da segurança na trilha e como se preparar para uma jornada segura na natureza. Você viu quais são os equipamentos essenciais, como planejar sua alimentação e hidratação, como usar mapas e bússolas para se orientar, como se comunicar em caso de emergências e como evitar situações de risco. Esperamos que essas dicas sejam úteis para você aproveitar ao máximo sua experiência de ecoturismo, respeitando o meio ambiente e cuidando da sua saúde. Lembre-se de que a trilha é uma atividade que exige planejamento, responsabilidade e conhecimento. Por isso, não deixe de se informar, treinar e seguir as boas práticas de segurança na trilha. Assim, você poderá desfrutar de paisagens incríveis, momentos inesquecíveis e muita diversão!

FAQs (Perguntas Frequentes)

O que fazer em caso de encontro com animais selvagens?

Depende do tipo de animal que você encontrar, mas em geral, a melhor coisa a fazer é manter a calma, evitar movimentos bruscos e não provocar ou alimentar o animal. Se possível, afaste-se lentamente e mantenha uma distância segura. Em caso de ataque, procure se defender com algum objeto ou fazer barulho para assustar o animal. Depois, procure ajuda médica o mais rápido possível.

Como escolher a trilha certa para o meu nível de habilidade?

Antes de escolher uma trilha, você deve avaliar seu nível de condicionamento físico, experiência e preferências pessoais. Existem trilhas de diferentes graus de dificuldade, duração e altitude. Você pode pesquisar sobre as características da trilha que pretende fazer, consultar guias especializados ou conversar com outros trilheiros. O importante é escolher uma trilha que seja adequada ao seu nível e que ofereça desafios e recompensas compatíveis com seus objetivos.

Qual é a melhor estação do ano para fazer trilhas?

Não há uma resposta única para essa pergunta, pois cada estação do ano tem suas vantagens e desvantagens para fazer trilhas. Tudo depende do clima, da vegetação, da fauna e da paisagem que você quer encontrar. No verão, as trilhas costumam ser mais quentes, úmidas e cheias de insetos, mas também mais verdes e floridas. No inverno, as trilhas costumam ser mais frias, secas e vazias, mas também mais claras e com menos obstáculos. Na primavera e no outono, as trilhas costumam ter temperaturas amenas, cores variadas e um equilíbrio entre os extremos das outras estações. O ideal é se informar sobre as condições climáticas da região que você quer visitar e se preparar adequadamente para cada estação.

O que fazer se eu me perder durante uma trilha?

Se você se perder durante uma trilha, não entre em pânico nem saia correndo sem rumo. O primeiro passo é tentar se localizar usando os recursos que você tem à disposição, como mapas, bússolas, GPS ou marcos naturais. Se você não conseguir se orientar, procure um lugar seguro e visível para ficar e sinalize sua presença com algum objeto colorido ou luminoso. Em seguida, tente entrar em contato com alguém que possa ajudá-lo, usando seu celular, rádio ou dispositivo de emergência. Se ninguém souber onde você está ou se você não tiver como se comunicar, espere por socorro no mesmo lugar até que alguém o encontre.

Como posso me preparar fisicamente para uma jornada mais longa?

Para se preparar fisicamente para uma jornada mais longa na trilha, você deve seguir um treinamento regular que envolva exercícios aeróbicos, anaeróbicos e de alongamento. Os exercícios aeróbicos são aqueles que aumentam sua resistência cardiorrespiratória, como caminhada, corrida, ciclismo ou natação. Os exercícios anaeróbicos são aqueles que fortalecem seus músculos e articulações, como musculação, agachamento ou flexão. Os exercícios de alongamento são aqueles que melhoram sua flexibilidade e amplitude de movimento, como yoga, pilates ou tai chi. Além disso, você deve cuidar da sua alimentação, hidratação e descanso, evitando excessos e deficiências que possam prejudicar seu desempenho e sua recuperação.

Referências

Roteiro Chapada Diamantina: 3 a 10 Dias (Lençóis e Capão) (caminhosmelevem.com)

How to Plan and Prepare for Your Next Hike | Tips & Tricks | KOA Camping Blog

Hiking Trip Preparation (hikingdude.com)

Tips on How to Prepare for a Hike | Adventures.com

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